Outro dia, me vi tendo uma conversa muito singular, muito única. Foi uma conversa tão verdadeira, bonita e nutridora. Dias depois, tive algumas conversas que foram no sentido oposto, como se já chegassem vazias de significado, desde as primeiras palavras trocadas.
Esses extremos me fizeram refletir sobre comunicação, expressão, astrologia, arquétipos do tarô e, principalmente, sobre a qualidade das trocas que ando tendo.
Uma conversa carregada da verdade de cada um tem o potencial de alimentar todos os envolvidos. Ela não pesa, nem alivia. Não retira, nem acumula. Uma troca genuína expande, revelando partes de nós e do outro que não são necessariamente boas ou ruins, mas são parte da nossa essência.
Quando me proponho a falar de coração aberto a alguém que tem igual abertura de coração para ouvir e acolher o que é dito, as energias fluem, o entendimento se dá sem nem precisar de tanta explicação. É uma mútua recepção.
Quando se fala com verdade, não ficam lacunas a serem preenchidas, não há espaço para a presunção de intenções, porque tudo já está dado com clareza, em luz – até quando se fala das sombras.
Por outro lado, quando essa honesta disposição não está presente de um ou de todos os lados, as palavras se perdem em um vazio de significado, não encontram ressonância, recepção, compreensão. Em vez de alimentar, desperdiça. Não cumpre o que se propõe.
A troca se torna, então, um ninho de intrigas, porque cada parte está mais preocupada em se defender ou justificar o que ela mesma criou, na tentativa de preencher os espaços que a falta de verdade deixou ali.
Não se engane, uma conversa nutridora é dádiva dos corações sadios, resultado de um emocional fortalecido, ainda que em recuperação. É um lembrete de que uma parte de você já é aquilo que você se esforça para ser.
"Tête-à-tête" é uma expressão francesa que significa uma conversa íntima, mas cuja tradução literal seria "cabeça com cabeça".
Um tête-à-tête pode ser uma conversa íntima, honesta, sensível e acolhedora. Mas pode também ser uma batida de cabeças, como as marradas de carneiros ferozes disputando atenção.
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