Ás de Copas

Gosto muito da imagem do Ás de Copas no Tarô desenhado por Pamela Smith, porque uma das interpretações é bem literal e intensa.

O naipe de copas representa o elemento água, as emoções, as profundezas. Uma copa (taça) transbordando água é o mais puro transbordamento emocional.

Na sua luz, essa carta nos lembra o quanto é gostosinho viver um amor intensamente.

Não sei se você já viveu isso, mas a liberdade de poder ser afetuoso, sem se privar de nada, nem precisar ficar escolhendo tanto as palavras, é super excitante e, ao mesmo tempo, reconfortante. Quando a comunicação amorosa flui feito um rio tranquilo, com calma, paciência, mas contínuo, sem “pororocas”, é até desconsertante.

Acho que nesses tempos líquidos (sim, eu li Bauman, como adivinhou?), ter uma comunicação (verbal e não verbal) que transpareça as emoções é algo relativamente raro.

Quantas vezes me vi calando ou me contendo por puro medo de que o meu afeto pudesse assustar, afastar. É até contraditório falar em “afeto afastar”, porque o afeto une, aproxima, acalenta, pacifica, aprofunda. Deveria estar no oposto do afastamento.

Mas quando o medo impera, tudo fica bagunçado mesmo. E que pena se relacionar com base no medo, né? A gente age assim ou aceita isso por achar que é o “natural”, que não há como fugir dessa lógica de superficialidade e descompromisso.

Que gostoso é poder dizer ou ouvir um “eu gosto de você”, sem se preocupar que o outro lado fuja. Que gostoso também poder se comunicar dessa forma entendendo que esse gostar tem a dimensão exata do momento em que se apresenta. Do mesmo jeito que a gente diz tão tranquilamente que gostou de uma comida, de uma roupa, de uma música, por que não dizer que gostou de alguém? Dizer “eu gosto de você” em um momento inicial, por exemplo, não significa dizer “eu gosto de tudo em você” ou “eu gosto de tudo que você é”, talvez seja apenas dizer “eu gosto do que conheci até aqui” ou “eu gosto do que você me mostrou sobre si”.

Uma comunicação afetuosa ão precisa dizer mais do que verdadeiramente é. Um ás é o início, não o fim da jornada.

“Todas as emoções que sentimos podem ter diferentes fontes. Mas as mais profundas são uma conexão com o Divino. Assim sendo, deveríamos considerar o espírito humano tal qual um templo, e sempre o acessar cuidadosamente, sendo em nossa alma ou na de outro alguém.”

Barbara Moore – Tarô Prateado das Bruxas.

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