No Tarô Zen do Osho, a carta do Papa, ou Hierofante, que se chama “não materialidade”. Escolhi essa carta para falar sobre fé e perdão. Tanto a fé, quanto o perdão, são sentimentos difíceis de construir e cultivar no dia a dia. A fé tem a ver com a confiança em algo que não podemos ver, tocar, sentir fisicamente, apenas experimentar numa perspectiva espiritual. A fé é uma crença que está dentro das crenças, é um acreditar elementar, necessário para se permitir a experiência espiritual, em qualquer nível.
O perdão também exige essa confiança e, além dela, um esforço cotidiano de renovação.
Quando a gente tem fé, quando a gente confia plenamente na espiritualidade e em sua justiça, a gente permite que toda mágoa se dilua, que todo sentimento de apego ou dor ligado ao passado se dissipe, porque, mais do que acreditar que a justiça divina vai se cumprir, a gente simplesmente sabe.
Perdoar é se libertar das energias que ainda te ligam ao que foi traumático. Não é sobre quem agiu errado com você ou sobre os seus erros com relação a alguém (inclusive em relação a si), mas sobre não permitir que essas energias continuem trazendo malefícios para a sua vida.
Eu não acho que o perdão seja nobre, mas acredito que seja necessário para que se consiga avançar, apesar do mal que foi feito. Ele nos permite olhar para o passado sem ficar aprisionado lá.
Assim como a fé, o perdão não pode ser cobrado. No máximo, podem ser aconselhados, porque o tempo para o perdão e a entrega completa da fé são extremamente individuais, particulares. O universo tem o tempo dele e cada coração tem o seu. A vida nos dá várias oportunidades de trabalhar nossas questões e não podemos ignorá-las para sempre, mas para que o perdão seja verdadeiro, é preciso estar preparado para encarar a força da dor.
Perdoar é permitir-se não sentir mais nada e poder rememorar sem se afetar.
Ter fé é permitir que essa ausência sentimental seja campo fértil para novos sentimentos e novas experiências, que não podem sequer serem imaginadas ainda.
